Carta aberta ao vizinho desconhecido
Bom dia!
Portanto…por onde começar?
Talvez pela vontade de estar a gritar consigo, em vez de escrever esta carta.
Há no entanto um detalhe que me impede de o fazer; o facto de me ser um total desconhecido.
Esta carta não é, no entanto, um convite para um duelo com luvas brancas. Nem sequer tenho um par delas em casa.
Tenho sim, imensa comichão, de cada vez que vou à minha janela para apanhar o ar fresco da manhã, e sou confrontado com as formas de móveis usados, árvores roubadas aos quintais, caixas vazias do Ikea, etc.
Hoje calhou-me um ajuntamento de caixas do Ikea. Acho isto uma falta de respeito.
Eu compreendo que esteja contente com o facto de ter mudado de casa, ou de simplesmente ter remodelado o mobiliário da mesma. No entanto, com toda a certeza concordará com o que tenho para lhe dizer a seguir.
Os móveis do Ikea têm nomes estranhíssimos.
Como tal, é um pouco desconfortável ter que lidar com uma mão cheia deles, logo pela manhã.
Agradeço que não me volte a sujeitar a tal coisa novamente, ou ainda passo por antipático, por não cumprimentar os sujeitos que tertuliam à minha janela, pelo nome.
Como primeiro contacto, gostaria de lhe oferecer uma tarte maçã, caso se confirme o facto de ser um “novo vizinho”.
Mas de momento, esta carta é o melhor que se consegue arranjar.
Ass: “O vizinho do R/C Fte do número 13.”