Há tempos dei por mim a pensar que talvez se pudesse explicar a dimensão de um amor entre duas pessoas, através da fórmula resolvente.
Por entre champô, água a ferver, salpicos no chão, desodorizante, escova e pasta de dentes, perfume e toalha de banho, eis que a ideia me assalta a cabeça. Deve ter sido do vapor de água. Aparentemente faz bem à asma, mas trocando o “s” por um “l”, também parece fazer sentido.
A princípio pensei numa abordagem bastante simples que passava por atribuir às várias incógnitas, a definição que mais me convinha:
Por entre champô, água a ferver, salpicos no chão, desodorizante, escova e pasta de dentes, perfume e toalha de banho, eis que a ideia me assalta a cabeça. Deve ter sido do vapor de água. Aparentemente faz bem à asma, mas trocando o “s” por um “l”, também parece fazer sentido.
A princípio pensei numa abordagem bastante simples que passava por atribuir às várias incógnitas, a definição que mais me convinha:

x – dimensão do amor entre duas pessoas
a – valor próprio
b – valor da pessoa que se ama
c – valor do amor que conseguimos dar a “b”, enquanto “a”
Aqui, o raciocínio passava basicamente por atribuir a dimensão do amor entre duas pessoas a “x”, sendo que esse valor estaria dependente das incógnitas “a”, “b” e “c”.
- “a” seria o valor associado a nós mesmos, porque primeiro que tudo e ao contrário do que as algumas pessoas defendem, o Eu tem que vir em primeiro. Se não conseguirmos ser individualmente, menos ainda conseguiremos ser aos pares. Não se enganem.
- “b” seria o valor da pessoa por quem estamos ou não apaixonados, uma vez que é a única incógnita que depende sempre só de si, e por isso, não temos margem de manobra na mesma, nem no que ela induz na relação.
- “c” seria a quantidade de amor que conseguiríamos dar a “b”, enquanto “a” .
Tudo isto me parecia bastante bem, até passar à prática e perceber que com estas definições das incógnitas, o resultado de “x” seria no mínimo desastroso, senão completamente impossível.
Podia assumir a coisa de uma forma puramente romântica e deixar de lado. Mas a minha condição de ex-futuro-engenheiro, não me deixou sossegar sobre o assunto.
Olhando com alguma atenção para a equação, facilmente percebi que para se chegar a um valor de “x” minimamente credível, teria que respeitar algumas condições.
- “a” tem que ser sempre um valor positivo.
- “b” tem que ser sempre um valor negativo.
- “c” pode ser negativo ou positivo, mas só poderá ser positivo, caso b² seja igual ou superior a 4ac.
Ora, pegando nestas condições, tive que atribuir novas designações às incógnitas, para fazer o mínimo de sentido. Se o valor da pessoa por quem estamos ou não apaixonados (b), é negativo, qual é o sentido de querer uma relação com ela?
Também a designação do valor de “c” deixa de fazer sentido nestas condições. O valor de amor que conseguimos dar a “b”, enquanto “a”, não pode de forma alguma ser negativo. Amor negativo é sinónimo de ódio ou desprezo. Alguém quer isso numa relação? NÃO!
Assim sendo, eis-me chegado às seguintes designações:

a – valor do amor que nutrimos pela outra pessoa
b – valor de desamor que a outra pessoa nutre por nós
c – valor de embirração entre as duas pessoas
Passando então a explicar as novas designações:
- “a” é o valor do amor que nutrimos pela outra pessoa, pois tem que ser sempre positivo. Se fosse negativo, faria com que o grau de embirração (c) aumentasse de tal forma, que não se conseguiria respeitar a condição b²≥4ac.
- “b” é o valor de desamor que a outra pessoa nutre por nós, pois tem que ser sempre negativo. A partir do momento em que o desamor passar a ser positivo, de facto temos muito pouco a dizer no sucesso da relação.
- “c” é o valor de embirração gerado entre as duas pessoas e idealmente será negativo. Pode no entanto ser positivo, desde que a condição b²≥4ac, seja respeitada. Umas picardias esporádicas podem sempre apimentar a relação, desde que no limite do razoável. Ou seja, o valor de embirração, não pode crescer demasiado em relação ao valor de desamor que a outra pessoa nutre por nós.
Nesta nova perspectiva, também a designação de “x” tem que ser alterada. Na verdade, “x” passa a ser designado como o valor associado ao poder que temos para fazer um amor/relação com determinada pessoa, resultar.
Após alguns cálculos desse mesmo valor, há no entanto algumas conclusões a ter em conta:
- Se o valor de “a” for crescendo demasiado em relação ao de “b” e este se mantiver constante, o valor de “x” acaba por tender para zero. Ou seja, se o nosso amor pela outra pessoa for exponencialmente maior que o seu desamor por nós, e continuar a crescer, o poder que temos para fazer a relação resultar, tende para zero.
- Já se “a” e ”b”crescerem ambos em valor absoluto, “x” acaba por atingir valores desejáveis. Ou seja, não é grave o valor do nosso amor pela outra pessoa ser enorme, desde que o valor de desamor dessa pessoa por nós, seja igualmente grande, em termos absolutos. Atinge-se uma espécie de equilíbrio.
- Para podermos ter um maior controlo do sucesso da relação, é portanto desejável que o valor absoluto de “b”, seja superior ao de “a”. É o que se costuma chamar na gíria de “Ter-se a faca e o queijo na mão”.
Assim sendo, para a fórmula resolvente:

Com as seguintes designações:
x – valor associado ao poder que temos para fazer uma relação/amor resultar
a – valor do amor que nutrimos pela outra pessoa
b – valor de desamor que a outra pessoa nutre por nós
c – valor de embirração entre as duas pessoas
Têm que ser respeitadas as seguintes condições:
- “a” tem que ter valor positivo
- “b” tem que ter valor negativo
- “c” deve ser negativo, mas pode ser positivo, desde que b²≥4ac.
E assim ficamos a conhecer o poder que podemos ter no sucesso de uma relação/amor, se quisermos acreditar que estas coisas são passíveis de ser medidas através de cálculos.
Claro que se aparecer aqui um Engenheiro Químico, vai já começar a desconstruir a coisa, porque não tive em atenção a Química inerente a duas pessoas, ou a temperatura que geram, etc.
Mas também posso sempre alegar que não se dissolve amor na água.
x – valor associado ao poder que temos para fazer uma relação/amor resultar
a – valor do amor que nutrimos pela outra pessoa
b – valor de desamor que a outra pessoa nutre por nós
c – valor de embirração entre as duas pessoas
Têm que ser respeitadas as seguintes condições:
- “a” tem que ter valor positivo
- “b” tem que ter valor negativo
- “c” deve ser negativo, mas pode ser positivo, desde que b²≥4ac.
E assim ficamos a conhecer o poder que podemos ter no sucesso de uma relação/amor, se quisermos acreditar que estas coisas são passíveis de ser medidas através de cálculos.
Claro que se aparecer aqui um Engenheiro Químico, vai já começar a desconstruir a coisa, porque não tive em atenção a Química inerente a duas pessoas, ou a temperatura que geram, etc.
Mas também posso sempre alegar que não se dissolve amor na água.
11 comentários:
''não se dissolve amor na água.'' AMEI !
E sim, o amor é meeeesmo fodido .
Grande post, cheio de imaginação! Abraço
Uau.
(penso mais uns segundos)
Uau.
Resolvessem fórmulas todas as situações que envolvem amor...
Não desvalorizando todo o calculo e amor dedicado à ciência, que busca designar uma forma exacta que pudesse, eventualmente, calcular o amor, algo me intriga. Como sabemos que, o valor de "a" é x e "b" é y? como, no fundo de nós, conseguimos sair do corpo e analisar ( com as capacidades físicas e químicas inerentes ao ser), aquilo que realmente as coisas valem. Podemos pensar de forma simples e prática? Hum.. este amor vale mais que a minha casa, que o meu cão dentro dela, e que o limoeiro dos avós. Os valores atribuídos dessa maneira despreocupada, quase que, infantil, são correctos?
A coisa mais.. difícil seria provavelmente sentir o amor dos outros, eu não sinto. Imagino, (claro que imagino sempre de uma maneira maravilhosa, com brisas quentes e cheiro a relva molhada, mas isso sou eu). Sendo que, a imaginação não será, provavelmente uma ciência exacta, poderemos confiar nela para calcular algo tão importante?
Pensei melhor, retiro! O mais difícil é termos a capacidade de sentir o nosso amor de maneira sincera e honesta com nós mesmos. Sair do corpo e olharmo-nos com o se de uma longa metragem se tratasse. Com a curiosidade de um estranho que gosta de nutre um estranho fascínio por cinema.
Quero acreditar na matemática, nunca tivemos grandes conversas, nem sequer chegamos a tomar café juntas. Dizem que nem sempre 2+2 são 4. Deve ser alguma ciência com ciúmes, que o diz. Talvez o amor. Vou tentar acreditar que são só boatos, de uma ciência que se julga mais importante que a outra.
Não sabemos Iris.
Mas reflectir sobre o mesmo, não importa de que forma, acaba sempre por nos fazer conhecer um pouco mais dele e mesmo de nós.
Gostei da tua reflexão.
:)
hi, new to the site, thanks.
Adorei o post! pode nao resolver muita coisa, pode mesmo nao resolver nada...mas ta muito bem escrito e serve pelo no minimo de metafora...adorei
PS: Consegui finalmente decorar a FR
O ISEL fez-te mal ó Hélio!!
Rui
Ruizinho?
Sabes bem que sim. Mas não mais a mim, que a ti.
:D
*
Fantástico, de facto. Adorei. :)
sem muitos floreados: acho genial quer a escrita quer o pensamento. és muito bom*
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